Eis que surge o café…

“Do punhado de sementes e de algumas mudas de café trazidas da Guiana Francesa para o Pará, em 1727, pelo oficial português Francisco Melo Palheta, aos revolucionários estudos do Genoma do Café, desenvolvidos nos centros de pesquisas científicas brasileiros, passaram-se 283 anos. Apesar do longo período, e mesmo sendo um dos hábitos mais antigos da humanidade, o café não para de surpreender por sua vitalidade produtiva e pela capacidade de se manter sempre moderno e prazeroso.”

Cafés do Brasil

Há cerca de trezentos anos, o café tem sido uma bebida popular em todo o mundo civilizado, mas pouco se sabe sobre a maneira exata como foi descoberto. Talvez você tenha ouvido algumas lendas antigas sobre cabras pastando nas montanhas, comendo os frutos do cafeeiro, e em seguida dando cabriolas devido às propriedades estimulantes do café.

Existem outras narrativas que falam sobre um fanático religioso expulso de Moca que se refugiou nas montanhas da Arábia. Ele provou alguns frutos estranhos que cresciam num arbusto. Como eram amargos, ele tentou melhorar o sabor tostando-os sobre o fogo. Isso os tornou quebradiços, e ele tentou amolecê-los na água, e quando a água na qual os grãos estavam imersos se tornou marrom, este Sr. Omar (pois este era o seu nome) bebeu e descobriu como aquilo era bom e revigorante. Isso foi lá pelos idos do século treze. Muito antes disso o café crescia à vontade na Abissínia.

 

detalhe dos frutos de um pé de café

O café, até o final do século dezessete, vinha totalmente da Arábia e era conhecido como Moca, o nome da cidade de sua origem. Mais ou menos naquela época, espertos mercadores holandeses, percebendo a crescente demanda e as perspectivas de um novo comércio, induziram seu governo a experimentar a plantação de café nas possessões das Índias Orientais Holandesas. O governador da Ilha de Java distribuiu sementes em várias partes da Ilha e devido à fertilidade do solo e as condições climáticas favoráveis, logo as plantas se desenvolveram. De Java, o café espalhou-se para as Índias Ocidentais e finalmente para a América do Sul e Central, onde o clima era particularmente propício ao rápido desenvolvimento do cafeeiro. Ali o seu cultivo foi feito de maneira extensiva, até agora, e provavelmente 90% de todo o café cultivado vem do Hemisfério Ocidental.

Assim o centro da produção se mudou do antigo mundo para o novo e, com um começo promissor, o café atualmente é uma das produções mais rentáveis do comércio mundial. O consumo chega a 2 bilhões de quilos, dos quais cerca de 57% são fornecidos pelo Brasil. Os Estados Unidos lideram como país consumidor de café, com cerca de metade de toda a quantidade consumida mundialmente. O consumo per capita excede 7 quilos por ano.

O cafeeiro é plantado com as sementes totalmente amadurecidas, selecionadas com esta finalidade. Quando as mudas atingem trinta centímetros de altura, são levadas para a plantação e dispostas em fileiras, com três metros de distância entre elas. Quando estão totalmente crescidas, atingem a altura de 3 metros ou pouco mais.

Cada arbusto produz anualmente até um quilo e meio de café, depois do quarto ou quinto ano. Os cafeeiros podem produzir até os 100 anos de idade, mas seu período mais produtivo vai do 5º ao 50º ano. A folhagem é de um verde escuro brilhante. As flores são pequenas em formato de estrelas, perfumadas, e crescem em cachos.

 

Da Arábia para o mundo

No Brasil, a planta se adaptou melhor na região sudeste, onde é mais largamente produzida. A região do vale do Paraíba, em São Paulo, foi por muito tempo a grande produtora em território nacional. Dali, o café passou a ser produzido em larga escala em outras localidades.

Hoje, o Brasil é líder mundial em exportação do café, sendo o responsável por cerca de 1/3 de toda a produção mundial. Sua produção diversificada – já que o aroma e o sabor do grão dependem diretamente da região e das condições do solo e cultivo existentes – enriquece o mercado com variedades diferentes e muito saborosas da bebida. Nossos cafés chamam a atenção lá fora, onde ganham mais destaque e prestígio a cada dia.

Viva o bendito colono que decidiu introduzir mudas de coffea arabica no Brasil. Mal sabia ele que, ao transpor mudas da Guiana Francesa para o Brasil, estaria dando início a uma revolução econômica e a um salto no paladar do brasileiros, e do mundo.

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